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Ferrari domina leilões milionários, mas McLaren de R$ 80 mi fica no topo

Rodrigo Mora

05/01/2020 07h00

(SÃO PAULO) – O ano de 2019 não bateu recordes estabelecidos até 2018 – o carro mais valioso leiloado no ano passado equivale, em valores, ao sexto modelo mais caro já leiloado. O ranking dos dez mais continua repleto de Ferraris, mas a surpresa foi um McLaren F1 estar no topo:

Ferrari F2002: US$ 6.643.750

Em 2017, a Ferrari F2001 pilotada por Michael Schumacher foi arrematada em um leilão da RM Sotheby's por US$ 7,5 milhões (R$ 30,4 milhões) – valor até agora recorde para um carro de corrida. O segundo bólido mais valioso surgiu em novembro passado, em Abu Dhabi, justamente a Ferrari seguinte a essa, F2002, vendida por US$ 6.643.750 (R$ 26,9 milhões) pela mesma leiloeira.

Ferrari F2002 (Imagem: Remi Dargegen/RM Sotheby's)

A F2002 foi o carro que levou o alemão ao quinto título da Fórmula 1. Das 19 corridas que participou entre 2002 e 2003, venceu 15 e fez pole em 11. Na primeira temporada, o exemplar leiloado começou com o então companheiro de equipe de Schumacher ao volante, segundo a RM Sotheby's: "Este chassi em particular, 219, girou as rodas pela primeira vez nos testes de Barcelona, em março. Dirigido por Rubens Barrichello, o carro percorreu 265 voltas. Foi enviado a Ímola para o Grande Prêmio de San Marino em meados de abril. Depois de se classificar em 2º lugar com Barrichello ao volante – Schumacher conquistou a pole no chassi 220 -, a Ferrari optou por uma troca para a corrida, na qual Schumacher levou o chassi 219 para uma vitória tranquila de 18 segundos sobre seu companheiro de equipe brasileiro".

Ferrari 250 GT Series I Cabriolet 1958: US$ 6.800.000

Foram apenas 40 unidades da Ferrari 250 GT Series I Cabriolet fabricadas – e todas pela oficina artesanal da Pininfarina, sendo esta – arrematada por US$ 6,8 milhões (R$ 27,5 milhões) em leilão da Gooding & Company realizado em Pebble Beach (EUA), em agosto – uma das quatro com itens de personalização, como saídas de ar laterais, detalhes no para-choques e faróis cobertos.

Ferrari 250 GT Series I Cabriolet (Imagem: Gooding & Company/divulgação)

No seu currículo estão prêmios (Pebble Beach Concours d'Elegance, FCA Vintage Concours , Rodeo Drive Concours, entre outros) por sua impecável restauração e o fato de ter pertencido ao ator e playboy italiano Prince Alessandro "Dado" Ruspoli, que dizem ter sido a inspiração de Federico Fellini para La Dolce Vita (1960).

Pagani Zonda Aether 2017: US$ 6.812.500

Nos leilões habitualmente dedicados a carros antigos, também começam a ganhar destaques supercarros mais recentes que, se é que já não são, certamente um dia serão clássicos. Caso do Pagani Zonda Aether 2017, que tem um elemento especial para colecionadores: é o único construído. Por isso alguém desembolsou US$ 6.812.500 (R$ 27,6 milhões) pelo modelo no leilão da RM Sotheby's de Abu Dhabi, em novembro.

Pagani Zonda Aether (Imagem: divulgação)

Outros elementos o tornam especial, como o motor Mercedes 7.3 V12 de 760 cv aspirado e acoplado a uma transmissão manual de seis marchas e o odômetro acusando apenas 1.400 quilômetros rodados. "O número de recursos fora do padrão em todo este Zonda é muito numeroso para ser listado", diz a RM Sotheby's.

Ferrari 250 GT SWB Berlinetta 1963: US$ 7.595.000

Revelada no Salão de Paris de 1959, a 250 GT SWB tinha o entre-eixos encurtado em quase 23 centímetros – daí o sobrenome SWB, de Short Wheelbase – para ganhar velocidade em curvas quando usada em pistas de corrida. E foi o primeiro modelo de rua da Ferrari a contar com freios a disco.

Ferrari 250 GT SWB Berlinetta (Imagem: Gooding & Company/divulgação)

Segundo a Gooding & Company, este exemplar, chassis 4037, ainda se beneficiou de refinamentos como para-brisas mais largo, painel revestido em couro e bancos mais confortáveis. Em 2006, foi comprado pelo ator Nicolas Cage, reconhecido também por sua valiosa coleção, que já incluiu, além da Ferrari, um Aston Martin DB4 GT, um Jaguar D-Type e um Lamborghini Miura SV, entre outros. Em 2008 Cage dispensou a 250 GT e no ano passado ela fora arrematada por US$ 7.595.000 (R$ 30,8 milhões).

Ford GT40 Roadster Prototype 1965: US$ 7.650.000

No ano de estreia de Ford vs Ferrari, claro que um Ford GT40 estaria na lista dos mais caros leiloados. E não é qualquer GT40, mas simplesmente o primeiro dos cinco roadster construídos e o carro pilotado pelas lendas Ken Miles, Carroll Shelby e Jim Clark. Mais relevante ainda é este GT40 ser o único protótipo usado como carro de testes e desenvolvimento sobrevivente, entre os 12 feitos.

Ford GT40 Roadster Prototype 1965 (Imagem: RM Sotheby's/divulgação)

A história do GT40 vocês conhecem: nasceu exclusivamente para bater a Ferrari nas 24 Horas de Le Mans, vencendo a prova em 1966, 1967, 1968 e 1969. Os primeiros protótipos começaram a rodar em 1963 – certamente este, arrematado em agosto por US$ 7.650.000 (R$ 31 milhões), era um deles.

Ferrari 250 GT SWB Berlinetta by Scaglietti 1962: US$ 8.145.000

Se 2018 foi o ano da 250 GTO, agora os holofotes parecem estar apontados para a 250 GT. Esta foi vendida por US$ 8.145.000 (R$ 33 milhões), em agosto, no leilão da RM Sotheby's de Monterey, nos EUA.

Ferrari 250 GT SWB Berlinetta by Scaglietti (Imagem: RM Sotheby's/divulgação)

"Como um exemplar de fim de produção, esta 250 GT SWB foi equipada com uma infinidade de melhorias que apareceram durante a vida útil do modelo, incluindo detalhes de carroceria, como a tampa do depósito de combustível externo, estilo mais proporcional ao redor do para-brisas e janelas de ventilação do lado dianteiro, uma ventilação parte traseira do teto, elegantes lentes laterais em forma de lágrima e painel redesenhado", detalha a casa de leilão.

Lamborghini Veneno Roadster 2014: US$ 8.337.000

Quando fora lançado, em 2014, o Lamborghini Veneno Roadster custava € 3,3 milhões, algo em torno de R$ 15 milhões. Apenas nove unidades do superesportivo de motor V12 de 750 cv foram construídas, e a número sete saiu por US$ 8.337.000 milhões, equivalente a R$ 33,8 milhões, em leilão da Bonhams realizado na Suíça, em outubro passado. Virou, então, o Lamborghini mais caro já leiloado.

Lamborghini Veneno Roadster 2014 (Imagem: Bonhams/divulgação)

Além do mau gosto no nome e da cafonice no visual, o Veneno carrega um histórico lamentável por ser um dos 25 carros do vice-presidente da Guiné Equatorial, Teodoro "Teodorín" Nguema Obiang, apreendidos por autoridades suíças em 2016. Filho do presidente do país africano, o ditador Teodoro Obiang Nguema Mbasogo, Obiang "filho" é investigado por corrupção. Mas, por imperícia ao volante, nem precisam investigar: com apenas 325 km no odômetro, o superesportivo veio com a roda traseira direita ralada.

Ferrari 250 GT LWB California Spider: US$ 9.905.000

Reparem que esta é a quarta Ferrari 250 GT na lista dos clássicos mais caros leiloados em 2019. No final dos anos 1950, a marca italiana desenvolveu uma variante da 250 GT para atender o crescente mercado norte-americano. A principal diretriz era criar um esportivo amigável no dia a dia e capaz de encarar corridas no final de semana.

Ferrari 250 GT LWB California Spider (Imagem: Gooding & Company/divulgação)

Entre 1957 e 1963, a Ferrari produziu 106 California Spiders: 50 da versão de entre-eixos longo (LWB) e 56 da configuração de entre-eixos curto (SWB). Em 1959, este exemplar – o décimo primeiro produzido – conheceu seu primeiro dono, um advogado do Texas (EUA); 60 anos depois, foi arrematado por US$ 9.905.000 (R$ 40,2 milhões).

Alfa Romeo 8C 2900B Touring Berlinetta 1939: US$ 19.257.000

Por pouco este 8C 2900 Touring Berlinetta não bate o recorde de US$ 19,8 milhões desembolsados por um 8C 2900B Lungo Spider, leiloado em 2016. Saiu por US$ 19.257.000 (R$ 78 milhões), diferença de módicos US$ 543 mil.

Alfa Romeo 8C 2900B Touring Berlinetta 1939 (Imagem: Artcurial/divulgação)

Os 8C 2900B foram um dos esportivos mais rápidos do pré-guerra, já que eram as apostas da Alfa Romeo para bater Auto Union e Mercedes-Benz nos Grand Prix mundiais. Menos de 50 deles foram fabricados, sendo apenas cinco na configuração Touring Berlinetta – e este é o segundo a sair da quase artesanal linha de produção. Pertenceu ao mesmo dono por 43 anos e desconhece o que é restauração.

McLaren F1 'LM-Specification' 1994: US$ 19.805.000

Foi em 28 de maio de 1992, quinta-feira véspera do GP de Mônaco, que a McLaren apresentou o F1. Da mente de Peter Stevens e Gordon Murray – este um notório projetista de carros da Fórmula 1 e quem desenhou o layout básico do MP4/4 de Ayrton Senna – saiu um superesportivo com lugar para três ocupantes, o mais feliz deles sentado no meio.

McLaren F1 'LM-Specification' (Imagem: RM Sotheby's/divulgação)

Os números de desempenho eram assustadores para a época: motor 6.1 V12 de 627 cv (oriundo da BMW), capaz de levar o F1 aos 100 km/h em 3,2 segundos e velocidade máxima de 391 km/h – marcas que o consagraram o mais veloz do mundo em sua época e que ainda hoje estão guardadas num olimpo que poucos alcançam.

McLaren F1 'LM-Specification' (Imagem: RM Sotheby's/divulgação)

Ouro no cofre do motor parece pura ostentação, mas funciona como um eficiente isolante térmico que mantém o calor do motor longe da carroceria. As ferramentas que acompanham o carro são de titânio, bem mais leves do que as convencionais de ferro.

McLaren F1 'LM-Specification' (Imagem: RM Sotheby's/divulgação)

Apenas 106 unidades foram produzidas até 1998: 28 GTRs, destinados às corridas, e 64 para as ruas. Desses, cinco saíram na versão LM, que era uma homenagem à vitória do F1 GTR na edição de 1995 das 24 Horas de Le Mans. Além de redução de peso, esses modelos eram equipados com o motor de corrida, de 680 cv.

McLaren F1 'LM-Specification' (Imagem: RM Sotheby's/divulgação)

Dois F1 foram convertidos em LM, posteriormente e a pedido de seus proprietários, pela própria McLaren. No caso deste chassis 018, a transformação aconteceu em 2000, demandada por um colecionador alemão, então dono do carro.

Em agosto do ano passado, foi arrematado por US$ 19.805.000 (R$ 80,3 milhões). 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sobre o autor

Rodrigo não Mora apenas nos Clássicos. Em sua trajetória no jornalismo automotivo, já passou por Auto+, iG, G1, Folha de S. Paulo e A Tarde - sempre em busca do que os carros têm a dizer. Hoje, reúne todos - clássicos e novos - nas páginas das revistas Carbono UOMO e Ahead Mag e no seu Instagram, @moranoscarros.

Sobre o blog

O blog Mora nos Clássicos contará as grandes histórias sobre as pessoas e os carros do universo antigo mobilista. Nesse percurso, visitará museus, eventos e encontros de automóveis antigos - com um pouco de sorte, dirigirá alguns deles também.

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