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Ford vs Ferrari: os carros que levaram a rivalidade das pistas ao cinemas

UOL Carros

15/11/2019 04h00

Le Mans, 1966 (Imagem: divulgação)

(SÃO PAULO) – Em 1963, aos 60 anos, a Ford já havia experimentado quase tudo. Inventara a produção em série. Comprara a Lincoln para torná-la uma das marcas de luxo mais cobiçadas dos EUA. Fornecera veículos para o Exército Americano nas duas guerras mundiais. Gigante na terral natal, fazia sucesso também na Europa, enquanto desbravava o resto do mundo. Era reconhecida em quase todos os segmentos, da plebe à elite. Vivera o luto pela morte de seus principais dirigentes (Henry, em 1947, e seu filho Edsel, em 1943). E o Mustang,, seu carro mais icônico e bem-sucedido, estava no forno – dele sairia no ano seguinte. Mas faltava alguma coisa.

Faltava vencer as 24 Horas de Le Mans.

A inegociável e inquestionável ordem veio de Henry Ford II, então presidente da empresa. Era mais do que um pedido, na verdade. Era uma ambição, também ancorada no rancor. É que a Ford chegou muito perto de comprar a Ferrari, união que apresentaria o mundo dos supercarros (e consequentemente categorias do automobilismo internacional) à marca americana, e levaria investimentos à italiana. Indisposto a perder sua autonomia sobre a própria empresa, Enzo Ferrari declinou na hora H – o que deixou Ford II…chateado.

Vencer Le Mans virou então uma questão de honra para Ford II. Uma vingança pessoal, talvez. Tanto que é esse o fio condutor de Ford vs Ferrari, que estreara ontem nos cinemas nacionais.

Daí que foi criada a Ford Advanced Vehicles, instalada em Slough, na Inglaterra, para desenvolver um carro fenomenal o bastante para vencer a Ferrari. Em 12 de junho de 1963 – menos de um mês após a Ford soltar um comunicado oficializando que o acordo entre ela e a Ferrari havia melado -, o programa de competição foi apresentado à diretoria da Ford. Até o nome do bólido já estava definido: GT40. "GT" de Gran Turismo e 40 em referência a altura do carro em polegadas.

Protótipo do GT40 (Imagem: divulgação)

Para economizar tempo, a equipe de engenheiros tomou como base dois Lola GT de 1962, já equipados com motores V8 da própria Ford. 

Alguns nomes importantes dessa empreitada precisam ser lembrados. Roy Lunn comandava o novo braço de competições e, ao lado de Eric Broadley, dono da Lola, desenhava e construía os carros. John Wyer, que já havia vencido Le Mans com a Aston Martin, e Carroll Shelby se concentravam nas corridas. E ninguém menos do que Bruce McLaren foi um dos primeiros pilotos de teste do GT40. 

GT40 1965 (Imagem: divulgação)

Os primeiros protótipos começaram a rodar já em agosto de 1963, equipados com um 4.2 V8, de 350 cv. A apresentação oficial foi no Salão de Nova York do ano seguinte, pouco antes da estreia nas pistas.

Sua construção consistia em motor instalado praticamente no centro do carro. As portas se abriam para cima, mas avançavam sobre o teto. E o cockpit era apertado. Para pilotar um GT40, você tinha que ser baixinho.

(Imagem: divulgação)

E foi uma estreia com problemas em suspensão, freios…A primeira vitória veio em 1965, na pista de Daytona, nos EUA, já com um motor 7.0 V8 e Ken Miles e Lloyd Ruby dividindo o volante. Mas vencer Le Mans ainda estava distante.

Entretanto, 1966 parecia promissor. Em Daytona, mais uma vitória. E os segundo e terceiro lugares no pódio também foram do GT40 – já em sua segunda "geração", batizado de Mark II e com o V8 rendendo cerca de 470 cv. Naquele ano, enfim Henry Ford II foi atendido e o GT40 venceu Le Mans, com Chris Amon e Bruce McLaren.

GT40 na vitória de 1966 (Imagem: divulgação)

O GT40 então emendou uma sequência arrasadora: Dan Gurney e A.J. Foyt venceram em 1967; Pedro Rodrigues e Lucien Bianchi em 1968 e Jacky Ickx e Jackie Oliver em 1969. 

A Ferrari em questão era a 330 P3, que só teve três exemplares construídos. Equipada com um V12 e portas de fibra de vidro, teve vida curta, disputando apenas a prova de 1966.

Ferrari 330 P3 (Imagem: divulgação)

 

 

 

 

 

 

 

 

Sobre o autor

Rodrigo não Mora apenas nos Clássicos. Em sua trajetória no jornalismo automotivo, já passou por Auto+, iG, G1, Folha de S. Paulo e A Tarde - sempre em busca do que os carros têm a dizer. Hoje, reúne todos - clássicos e novos - nas páginas das revistas Carbono UOMO e Ahead Mag e no seu Instagram, @moranoscarros.

Sobre o blog

O blog Mora nos Clássicos contará as grandes histórias sobre as pessoas e os carros do universo antigo mobilista. Nesse percurso, visitará museus, eventos e encontros de automóveis antigos - com um pouco de sorte, dirigirá alguns deles também.

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