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Conheça cinco museus que já visitamos - e que você também deveria

Rodrigo Mora

23/11/2019 07h00

(SÃO PAULO) – Enquanto os visitantes se deslumbram com um elevador rotativo, que lentamente vai trocando os carros de posição, a guia conta – em português levemente temperado com sotaque alemão – a história de August Horch. Foi o engenheiro que, após ser expulso da companhia automobilística que levava seu nome, fundou a Audi, em 25 de abril de 1910.

Tem um elevador dentro do Audi Museum Mobile (Imagem: Rodrigo Mora)

Depois de alguns minutos ali contemplando os primeiros automóveis da Horch – que inclui um modelo de 1953 com uma história fantástica de perda e resgate – vem uma pincelada sobre a história das conterrâneas Wanderer e DKW, para em seguida explicar a união com a Audi, que formaria a Auto Union em 29 de junho de 1932.

Audi 50 também foi VW Polo (Imagem: Rodrigo Mora)

Começando do último andar e descendo, dali em diante é um passeio pelos primeiros carros de corrida (as "Flechas de Prata" da Auto Union; não confundir com as da Mercedes), os temíveis bólidos de rali, os de Le Mans…Depois vem a fase "Volkswagen", com carros que tinham um irmão gêmeo na empresa que viria a assumir o controle da Auto Union, como o Audi 50/VW Polo.

O museu da Audi é o tipo de lugar que você fotografa os pedais de um Flecha de Prata (Imagem: Rodrigo Mora)

No térreo geralmente há uma exposição itinerante, que já abrigou, por exemplo, motos da Ducati, que hoje pertence à Audi. É onde fica também a lojinha com livros, miniaturas, camisetas e demais souvenirs que arregaçam sua conta bancária.

O Audi Museum Mobile fica em Ingolstadt, na Alemanha.

Porsche Museum (Imagem: divulgação)

Durante 2019, o museu da Porsche se dedicou a duas grandes exposições temáticas. Entre junho e julho a homenagem foi para o cinquentenário do 914. E até 8 de dezembro o espaço comemorará os 50 anos do 917, provavelmente seu carro de corrida mais lendário. Mas na última vez que estive lá, em junho do ano passado, tudo girava em torno dos 70 anos da marca.

356 001 recebia os visitantes no Porsche Museum ao longo de 2018 (Imagem: Rodrigo Mora)

Depois de ser transportado por uma longa escada rolante até o segundo andar, o visitante dava de cara com o 356 número 1, de 1948. Foi o modelo que marcou o início da Porsche como fabricante de automóveis, e não mais uma consultoria de engenharia.

356 "Ferdinand" (Imagem: Rodrigo Mora)

Ao deixar aquele conversível prata com interior vermelho para trás, o que se segue é uma exposição permanente. Que apresenta ao público o "Ferdinand", um 356 preto dado de presente a Ferdinand Porsche no seu aniversário de 75 anos; o protótipo do que poderia ter sido (e ainda bem que não foi) o 911 e exemplares especiais de quase tudo o que a Porsche já construiu – como o primeiro 911 Turbo, que pertenceu a Louise Piëch, filha do fundador da empresa.

Bateu na trave o 911 ter saído assim (Imagem: Rodrigo Mora)

Quase no fim da exposição sobre os 70 anos da Porsche, o visitante do museu encontra dois modelos separados por 117 anos e com uma ligação improvável: a eletricidade. O mais antigo é o Egger-Lohner C2 Phaeton, primeiro veículo projetado por Ferdinand Porsche, em 1898, equipado com um motor elétrico de 3 cv. A poucos metros dele estava o Mission E, protótipo revelado em 2015 que apresentou ao mundo as diretrizes estéticas e tecnológicas da Porsche para a mobilidade do futuro. Dele nasceu o Taycan.

Como no da Audi, o museu da Porsche tem no térreo a lojinha de tentações e um confortável e acessível restaurante – além do café, de onde dá para ver a oficina do museu e tentar adivinhar o que está por vir.

O Porsche Museum fica em Stuttgart, na Alemanha.

Painel lembra mitos de Le Mans (Imagem: Rodrigo Mora)

Já o Musée des 24 Heures, que fica no complexo onde está o Circuit de La Sarthe, dispensa a assepsia dos museus das fabricantes. Parece que os carros saíram de alguma prova das 24 Horas de Le Mans e foram direto pra lá, pois no ar tem aquele cheiro de gasolina, pneu usado e graxa misturados.

(Imagem: Rodrigo Mora)

A viagem começa com uma sequência de painéis com lendas de Le Mans, como Jacky Ickx, Henri Pescarolo, Derek Bell, entre outros. Depois, uma maquete do circuito te dá uma dimensão melhor de como são e onde ficam cada curva e cada reta. Há também miniaturas dos bólidos que lá pisaram. E foi nesse museu que vi pela primeira e única vez um Mazda 797B, primeiro e último a vencer Le Mans com um motor rotativo.

Mazda 787B, vencedor da edição de 1991 das 24 Horas de Le Mans (Imagem: Rodrigo Mora)

Outra maravilha ali guardada é um Bentley 3 Litros, vencedor da prova de 1924. No fim, um espaço meio apertado – e talvez por isso até charmoso – guardava a história da Ford em Le Mans, evidentemente exibindo um GT 40.

Ford GT 40 de 1968 no museu de Le Mans (Imagem: Rodrigo Mora)

Musée des 24 Heures fica em Le Mans, na França.

Corvette Museum (Imagem: Rodrigo Mora)

Em 12 de fevereiro de 2014, uma cratera se abriu no meio do museu do Corvette. Oito carros foram engolidos, alguns foram totalmente irremediavelmente destruídos. Foi uma tragédia, que poderia ser pior se não tivesse ocorrido na madrugada, e sim durante o dia, com o museu aberto.

Em 2014, oito Corvettes caíram neste buraco (Imagem: Rodrigo Mora)

Mas a direção do local decidiu fazer do acidente um atrativo, inclusive com visitas online que permitem uma visualização mais próxima da cratera. Os oito Corvettes foram retirados do buraco e postos ao lado de outros modelos, no exato estado em que ficaram após o acidente.

Não sei nem o que legendar…(Imagem: Rodrigo Mora)

No mais, o espaço é rico em informações, contando a trajetória de cada geração, revelando protótipos, as participações no cinema…Mas nada, claro, supera a curiosidade de ver o gigante buraco de perto.

O Corvette Museum fica em Kentucky, nos Estados Unidos.

Por aqui, o Museu da Imprensa Automotiva é parada obrigatória, pois até que mostrem o contrário, é o único do gênero no mundo a reunir revistas, livros, memorandos da imprensa especializada e outros "acepipes" ligados à indústria da informação/mídia sobre carros e do jornalismo automotivo nacional.

Rozen, jornalista e idealizador do MIAU (Imagem: Rodrigo Mora)

A obra é fruto da dedicação de Marcos Rozen, jornalista que começou o acervo juntando a papelada que nos dão em salões do automóvel. Herdando relíquias aqui e ali, hoje é dono de uma coleção que reúne itens pitorescos, como um crachá de visitante à fábrica da Ferrari, em Maranello (Itália); um rádio de pilha da Volvo e até uma caixa de fósforos distribuída à imprensa no Salão do Automóvel de 1970, quando ainda era permitido fumar em locais públicos fechados.

MIAU mostra que Brasil está aprendendo a guardar história do carro e do jornalismo (Imagem: Rodrigo Mora)

Ao todo, tenho cerca de 10 mil itens, todos catalogados. Aqui no Miau está cerca de 10% disso", revela. A ideia é que o público — formado por jornalistas, entusiastas de automóveis, estudantes ou simplesmente quem curte museus — nunca se entedie: "Dá para renovar o Miau mais umas dez vezes, se precisar", se gaba Rozen.

(Imagem: divulgação)

O museu já teve exposição dos 50 anos do Opala, dos 50 anos do Corcel e hoje abriga uma coleção de manuais de proprietário.

O MIAU fica em São Paulo.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Rodrigo não Mora apenas nos Clássicos. Em sua trajetória no jornalismo automotivo, já passou por Auto+, iG, G1, Folha de S. Paulo e A Tarde - sempre em busca do que os carros têm a dizer. Hoje, reúne todos - clássicos e novos - nas páginas das revistas Carbono UOMO e Ahead Mag e no seu Instagram, @moranoscarros.

Sobre o blog

O blog Mora nos Clássicos contará as grandes histórias sobre as pessoas e os carros do universo antigo mobilista. Nesse percurso, visitará museus, eventos e encontros de automóveis antigos - com um pouco de sorte, dirigirá alguns deles também.