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Cinco carros da Maserati que nem Rio, de "La Casa de Papel", dispensaria

Rodrigo Mora

07/04/2020 08h00

(SÃO PAULO) – Pode ser que atualmente a Maserati seja reconhecida apenas como uma variante luxuosa da já luxuosa Ferrari, e portanto sem uma missão lá muito relevante. Mas a marca fundada em 1914, em Bolonha, na Itália, pelos irmãos Alfieri, Ettore, Ernesto e Bindo já teve um passado glorioso.

Que tem sua origem em carros de corrida. O primeiro deles foi o Tipo 26, cujas 11 unidades fabricadas saíram entre 1926 e 1932. Em 1937, a marca do tridente conhece um trauma que se repetiria mais três vezes no futuro: sai das mãos dos irmãos Maserati para as de Adolfo Orsi.

Sob o comando do empresário italiano, um rol de bólidos, corridas e vitórias se seguiram até o 250F, carro pilotado por Juan Manuel Fangio no início da temporada de 1954 da Fórmula 1, quando o argentino conquistou o bicampeonato. Após correr pela Mercedes-Benz e pela Ferrari, Fangio voltou a sentar em um Maserati 250F para o quinto e último título, em 1957 – mesmo ano em que a fabricante decide se retirar das competições e focar na produção de automóveis potentes e luxuosos.

Maserati 250F em rali de carros clássicos em Monaco, em 2018 (Imagem: divulgação)

A Maserati vai emplacando obras-primas visuais (Mistral, Indy…) até que, em 1968, a Citroën assume seu controle. O plano da marca francesa era obter um motor V6 desenvolvido e produzido pela italiana para instalar no SM, que seria lançado em 1970. Em troca, elevaria a capacidade produtiva da Maserati e lhe daria tecnologias a ela então inacessíveis, sobretudo em recursos hidráulicos e elétricos.

O problema é que a Citröen abraçou a bancarrota em 1974. Comprada pela conterrânea Peugeot, vendeu a Maserati para a De Tomaso no ano seguinte. Dessa fase nasceram os modelos mais erráticos da marca, como o Kyalami – um De Tomaso Longchamp reestilizado e com um V8 da Maserati no lugar do orginal Ford V8 – e a terceira geração do Quattroporte, uma releitura do De Tomaso Deauville.

Em 1993, a Fiat compra a Maserati de Alejandro De Tomaso, para em 1997 vender 50% da companhia para a Ferrari, ela mesma uma propriedade da Fiat. Hoje, a Maserati é uma das marcas da Fiat Chrysler Automobiles.

"Tokio es un puto Maserati, y todo el mundo quiere un puto Maserati", já diria Denver, de La Casa de Papel. Estes realmente todo mundo gostaria de ter:

3500 GT

A Maserati começou a fazer carros de rua em 1947, com o A6 1500. Mas, em 1957, apresentou durante o Salão de Genebra o 3500 GT, síntese do que deveriam ser os grand tourers: confortáveis, espaços e potentes. O motor 3.5 de seis cilindros em linha viera das pistas, mas aqui amansado para 220 cv. No interior, havia tudo o que representava luxo na época, como excesso de cromados e botões e fartura de couro.

5000 GT (Imagem: divulgação)

O 3500 GT tanto impressionou que em 1958 levou Reza Pahlavi, xá da Persia, a visitar a Maserati em busca de algo similar ao modelo, porém mais exclusivo e potente. Assim nasceu o 5000 GT, equipado com um V8 de 325 cv e design diferenciado. Deveria ser um exemplar único, mas também fez sucesso e obrigou a Maserati a fazer outros 33, cada um diferente do outro. Em 2007, a casa de leilões Gooding & Co. vendeu um deles por US$ 1,1 milhão. 

Quattroporte 

Ícone entre os sedãs de luxo, o Quattroporte estreou no Salão de Turim de 1963 com desenho de Pietro Frua, um dos principais designers italianos da época, baseado no 5000 GT. Era a combinação de luxo, potência e espaço para até cinco passageiros e suas bagagens.

Quattroporte I (Imagem: divulgação)

Os primeiros modelos tinham um sistema de suspensão traseira conhecido como De Dion, com articulações em cada roda. Complexo, logo foi substituído por um eixo rígido, mais simples. O motor V8 de 4,7 litros dava conta do peso extra de todo luxo interno, que oferecia forração em couro, ar-condicionado e vidros elétricos. Hoje o modelo está em sua sexta geração.

Ghibli

Revelado em 1966, o Ghibli foi o primeiro Maserati a sai das pranchetas de Giorgetto Giugiaro. É reconhecido como o melhor Maserati tanto para encarar uma estrada sinuosa, quanto para viajar a altas velocidades de cruzeiro. Seu motor 4.9 V8 chegava a 335 cv na versão SS, acompanhado de um câmbio manual de cinco marchas ou um automático, de três.

Ghibli (Imagem: divulgação)

Era tanto pedigree e status que pouco importava o elevado peso do carro, o que levou a marca a lhe dar dois tanques de combustível. Apesar de longo, com 4,57 m de comprimento, transportava apenas duas pessoas – o que fazia parte de seu charme, e até mesmo de seu conceito. Henry Ford II comprou o primeiro exemplar a desembarcar nos EUA. Até 1973, foram produzidas 1.274 unidades. Mais raros ainda são os modelos conversíveis, que chegaram a cerca de 100 unidades. 

Bora

Primeiro modelo desenvolvido após a parceria com a Citroën, o Bora apareceu no Salão de Genebra de 1971. Também desenhado por Giugiaro, o novo Maserati era "visivelmente esporte, mas não excessivamente agressivo; inovador, mas não revolucionário", nas palavras do próprio autor do seu estilo.  

Bora (Imagem: divulgação)

E foi também o primeiro carro da marca de dois lugares com motor central. Sobrava sofisticação ao Bora, como a tampa do compartimento do motor em vidro duplo, suspensão independente nas quatro rodas, interior luxuoso e recursos hidráulicos (como o que operava os freios a disco) emprestados da Citroën. Em oito anos de produção, foram feitos 571 unidades.

3200 GT

Em 1998 a Maserati lançou o 3200 GT. Outra criação de Giugiaro, tinha um motor 3.2 V8 de 370 cv vindo da Ferrari – as duas marcas estavam sob domínio da Fiat à época. As elegantes lanternas traseiras eram um das marcas registradas do modelo.

3200 GT  (Imagem: divulgação)

 

 

 

 

Sobre o autor

Rodrigo não Mora apenas nos Clássicos. Em sua trajetória no jornalismo automotivo, já passou por Auto+, iG, G1, Folha de S. Paulo e A Tarde - sempre em busca do que os carros têm a dizer. Hoje, reúne todos - clássicos e novos - nas páginas das revistas Carbono UOMO e Ahead Mag e no seu Instagram, @moranoscarros.

Sobre o blog

O blog Mora nos Clássicos contará as grandes histórias sobre as pessoas e os carros do universo antigo mobilista. Nesse percurso, visitará museus, eventos e encontros de automóveis antigos - com um pouco de sorte, dirigirá alguns deles também.