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Musa de entusiastas, Gulf Oil ganha exposição em Le Mans

Rodrigo Mora

22/06/2018 07h00

(LE MANS) – É verdade que o principal motivo para visitar Le Mans ficou para trás. As 24 Horas de Le Mans foram no último final de semana, com vitória da Toyota na categoria LMP1 e domínio da Porsche nas GT. Corrida de novo só em 15 e 16 de junho do ano que vem.

Mas, quem estiver nas redondezas de Sarthe, deveria visitar o museu do autódromo, logo na entrada. Custa € 10 e crianças não pagam. Até 23 de setembro, a exposição Blue & Orange – a team, a legend contará a história da Gulf Oil, lendária equipe que conquistou sua primeira vitória em Le Mans em 1968.

A comemoração pelos 50 anos do triunfo traz alguns carros marcantes com o azul e laranja típicos da equipe – dez entre dez entusiastas de automóveis e automobilismo têm uma camiseta, uma jaqueta, um boné ou um adesivo sequer (eu mesmo colei um na minha mala de viagem) com as cores da escuderia. Há inclusive os que customizam carros e motos à la Gulf Oil.

Ford GT40 vencedor das 24 Horas de Le Mans de 1968

O primeiro deles é o Ford GT40 vencedor da primeira corrida (que naquela edição foi disputada excepcionalmente em setembro), pilotado por Pedro Rodriguez e Lucien Bianchi. (O que a exposição não conta é que Bianchi morreu no ano seguinte, durante sessão de testes para as 24 Horas de 1969. Seu sobrinho-neto era Jules Bianchi, o último piloto a morrer num carro de Fórmula 1, em 2014).

Talvez mais do que aos carros, a exposição presta homenagem a John Wyer. Engenheiro inglês, assumiu o departamento de competições da Aston Martin em 1950, para em 1959 conquistar sua primeira vitória, com Roy Salvadori e Carroll Shelby (sim, o próprio) pilotando um DBR1.

Em 1963 se junta à equipe oficial da Ford (FAV, de Ford Advanced Vehicles), que após abocanhar as edições de 1966 e 1967 se retira das pistas. É quando Wyer se junta a Grady Davis, vice-presidente da Gulf Oil, então uma gigante norte-americana da indústria pretrolífera, e funda o departamento de competições da empresa.

O Ford GT40 vence ainda a prova de 1969, e depois se aposenta. Wyer então leva a Gulf Oil à Porsche. Pena que o 917 pintado de azul e laranja não viu a bandeira quadriculada nas duas edições (1970 e 1971) que disputou.

Em 1971, esse Porsche 917 levava as cores da Gulf

Esse carro das fotos foi o número 17 nas 24 Horas de Le Mans de 1971, vestido de Gulf. Em 1972, a Porsche se separa da equipe de Wyer e pinta o carro com as cores da Martini Racing (que vencera no ano anterior com um 917 pilotado por Helmut Marko, atualmente o chefão da Red Bull na Fórmula 1).

Pequena, a exposição tem espaço ainda para o McLaren F1 GTR LM que disputou Le Mans em 1996. Um semelhante a esse levou a prova no ano anterior, na primeira participação da fabricante inglesa.

Viagem feita a convite da Porsche.

McLaren F1 GTR LM, de 1996

 

 

Sobre o autor

Rodrigo não Mora apenas nos Clássicos. Em sua trajetória no jornalismo automotivo, já passou por Auto+, iG, G1, Folha de S. Paulo e A Tarde - sempre em busca do que os carros têm a dizer. Hoje, reúne todos - clássicos e novos - nas páginas das revistas Carbono UOMO e Ahead Mag e no seu Instagram, @moranoscarros.

Sobre o blog

O blog Mora nos Clássicos contará as grandes histórias sobre as pessoas e os carros do universo antigo mobilista. Nesse percurso, visitará museus, eventos e encontros de automóveis antigos - com um pouco de sorte, dirigirá alguns deles também.

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