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Sobre cavaletes e debaixo de capa: como guardar um clássico na quarentena

Rodrigo Mora

21/03/2020 08h25

(SÃO PAULO) – "Depois que comprei o Fusca, me arrependi de não ter carro antigo antes", revela meu amigo Maurício Leme, que acaba de estrear como colecionador. O problema é que mal começou gazetear por aí e talvez tenha que dar um tempo, se de fato entrarmos em uma quarentena para conter a pandemia do novo coronavírus.

"Se realmente tiver um impedimento de circulação, tenho o privilégio de ter uma garagem grande. Então, provavelmente vou andar nela por uns 15 minutos para ao menos movimentar as peças, seja de motor ou estruturais", explica.

Mas e quem não tem um campo de futebol como garagem?

"Primeira coisa que temos que saber é o tempo que o carro ficará parado. Entre 20 e 30 dias, eu apenas desligaria a bateria. É preciso guardá-lo limpo evitando qualquer tipo de "pretinho", por conta do açúcar na fórmula, o que consequentemente evitaria bichos e formigas", detalha Bruno Tinoco, da Motorfast. Para as borrachas, procure produtos de hidratação específicos. 

Deformações devem surgir depois de aproximadamente 60 dias parados. Mas, ao rodarem novamente, tendem a voltar ao normal. "Se passar disso, a melhor solução é apoiar o carro sobre cavaletes", indica Tinoco.

Ele completa: "deixaria o carro abastecido com combustível de alta octanagem para não envelhecer no tanque, não evaporar e não danificar componentes do sistema". 

Leonardo Forestieri, da 455 Garage, especializada em restauração, também aconselha o uso de cavaletes, que "dão descanso para suspensão, pneus e rolamentos".

"Para fazer a hibernação de um carro, o interessante é guardar limpo e polido. O interior também deverá estar limpo e, preferencialmente, com um desumidificador, que se encarregará de tirar a umidade e o mal cheiro", também recomenda. 

E as capas? "Não comprem capa impermeável. Porque se é impermeável por fora, é por dentro também. E assim, se entrar umidade por dentro da capa ela vai ficar ali, em contato com o carro. Dê preferência a materiais como pano ou nylon", explica Forestieri.

Também é importante que o freio de estacionamento esteja solto, o câmbio desengatado e a bateria, desconectada. "Preferencialmente retirada do seu local original e guardada em outro lugar, seco e fresco", recomenda o proprietário da 455 Garage. 

Mas, se a tal quarentena durar muito tempo, é preciso retirar todo tipo de fluido do veículo. E se o seu carro tiver carburador, é essencial esgotar boias e cubas, para que o combustível não apodreça e contamine outras partes do sistema de alimentação.

"Mas não vamos nunca nos esquecer que os veículos foram feitos para rodar. Deixar parado, imobilizado, é prejudicial e mesmo tomando todo cuidado possível, levando tudo ao pé da letra, é inevitável que algumas peças mecânicas apresentem problemas numa futura ativação", avisa Forestieri. 

Portanto, Maurício, a voltinha na garagem está liberada.

 

 

 

 

Sobre o autor

Rodrigo não Mora apenas nos Clássicos. Em sua trajetória no jornalismo automotivo, já passou por Auto+, iG, G1, Folha de S. Paulo e A Tarde - sempre em busca do que os carros têm a dizer. Hoje, reúne todos - clássicos e novos - nas páginas das revistas Carbono UOMO e Ahead Mag e no seu Instagram, @moranoscarros.

Sobre o blog

O blog Mora nos Clássicos contará as grandes histórias sobre as pessoas e os carros do universo antigo mobilista. Nesse percurso, visitará museus, eventos e encontros de automóveis antigos - com um pouco de sorte, dirigirá alguns deles também.

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