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Há 30 anos Lamborghini lançava o Diablo; modelo viveu eras Chrysler e Audi

Rodrigo Mora

21/01/2020 13h52

(SÃO PAULO) – Foi em um 21 de janeiro como hoje, só que em 1990, que a Lamborghini veio a público com o Diablo. Substituto do Countach, em doses menos radicais carregava do antecessor a impiedade ao volante, o interior claustrofóbico e o visual extravagante, que inevitavelmente entregava aos ocupantes a visibilidade externa igual à de um capacete.

Countach LP 500 (Imagem: divulgação)

Cinco anos antes daquela apresentação em um luxuoso hotel de Mônaco, um objetivo foi imposto aos engenheiros da marca: o projeto 132, codinome interno do carro antes de atender oficialmente por Diablo, deveria ser o primeiro superesportivo da marca a romper a barreira dos 320 km/h.

Diablo (Imagem: divulgação)

Acionaram então Marcello Gandini, autor das linhas dos antecessores do Diablo, Countach e Miura, e também de outros modelos da marca, como Espada, Jarama e Urraco. Portanto, do estilo dos Lamborghini o italiano entendia.

Diablo (Imagem: divulgação)

Não na opinião da cúpula da Chrysler, porém. O desenvolvimento do Diablo corria quando a fabricante norte-americana fez um TED de US$ 25,2 milhões para a conta dos irmãos Jean-Claude e Patrick Mimran, então donos da Lamborghini (que desde 1974 não pertencia mais ao seu fundador, Ferruccio). Como nova proprietária, a Chrysler impôs vontades e determinou que sua equipe de designers, instalada em Detroit (EUA), suavizasse as linhas originais do Diablo. E também desse algum requinte ao interior de um carro que custava US$ 211.000.

Diablo (Imagem: divulgação)

Frustrado, Gandini levou seus rabiscos à também italiana Cizeta Automobili, que bancou as excentricidades do designer para lançar, em 1991, o Cizeta-Moroder V16T. Equipado com um 6.0 V16 de 540 cv, chegou a ser considerado uma das promessas entre os supercarros dos anos 1990, mas não foi longe: em 1995, a Cizeta fechou as portas tendo produzido não mais do que vinte unidades do modelo.

Cizeta-Moroder V16T (Imagem: divulgação)

Quanto ao trem de força, nada de polêmicas. Recorreram ao V12 de 48 válvulas do Countach, mas para o Diablo com cilindrada ampliada para 5.709 cm3, com potência de 492 cv e 59 kgfm de torque. O câmbio era manual de cinco marchas e a tração, traseira. Os 325 km/h de velocidade máxima declarados pelo fabricante confirmavam que a missão fora cumprida. Até os 100 km/h eram necessários apenas 4,1 segundos.

Diablo (Imagem: divulgação)

Nos anos seguintes, pouco se mexeu no Diablo. Algumas versões adicionais incrementavam a gama, como o VT (de tração integral) em 1993, o SE30 em 1994, e o Super Veloce em 1995. O Roadster estreou em 1993.

Diablo Roadster (Imagem: divulgação

Entre os principais concorrentes do Lamborghini Diablo estiveram, além do quase irmão gêmeo da Cizeta, Ferrari F40, Porsche 959, Jaguar XJ 220, Bugatti EB110, entre outros.

Diablo SE (Imagem: divulgação)

A principal mudança no estilo do Diablo apareceu no Salão de Paris de 1998, quando os faróis escamoteáveis foram dispensados. No mesmo ano, algo mais importante do que a reestilização aconteceu: o Grupo Volkswagen comprava a Lamborghini e a submetia a uma divisão da Audi. Dessa fase nasceram o raro GT e o 6.0 VT, cuja versão SE, limitada a 40 unidades, marcou a despedida do Diablo.

Diablo 6.0 2001 (Imagem: divulgação)

Em 2001, após 11 anos de vida e quase 3.000 unidades produzidas, o Diablo foi substituído pelo Murciélago.

Sobre o autor

Rodrigo não Mora apenas nos Clássicos. Em sua trajetória no jornalismo automotivo, já passou por Auto+, iG, G1, Folha de S. Paulo e A Tarde - sempre em busca do que os carros têm a dizer. Hoje, reúne todos - clássicos e novos - nas páginas das revistas Carbono UOMO e Ahead Mag e no seu Instagram, @moranoscarros.

Sobre o blog

O blog Mora nos Clássicos contará as grandes histórias sobre as pessoas e os carros do universo antigo mobilista. Nesse percurso, visitará museus, eventos e encontros de automóveis antigos - com um pouco de sorte, dirigirá alguns deles também.

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