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500 km de Interlagos expõe desafio de correr de carro antigo

Rodrigo Mora

21/12/2019 14h00

(SÃO PAULO) – Uma das mais tradicionais provas do automobilismo nacional, os 500 km de Interlagos reunirá neste grid de hoje 31 carros. Tem protótipo (Spyder), Renault Sandero R.S., Chevroelt Corsa, Audi A3 e também…clássicos.

"Como mudou um pouco o regulamento, apareceu a oportunidade de carros mais equilibrados poderem participar", explica Silvio Zambello, presidente do Automóvel Clube Paulista e organizador da prova.

Ford Maverick nos treinos para os 500 km de Interlagos (Imagem: Rodrigo Mora/UOL)

O mais rápido na classificação foi um Ford Marverick, que do original só manteve o monobloco. "O motor é um 7 litros em alumínio, de 650 cv. O câmbio é sequencial e os freios são de competição", descreve Luiz Fernando Baptista, um dos pilotos.

Ford Maverick nos treinos para os 500 km de Interlagos (Imagem: Rodrigo Mora/UOL)

Para ele, pilotar um carro antigo é uma experiência totalmente diferente da de pilotar um modelo mais moderno. "O piloto que sai de um carro com pneus slick e vai pra um com radiais, sofre. É um jogo de paciência, pois é muito mais difícil achar o limite da aderência. Por outro lado, a velocidade é bem menor", explica. Não é o caso do seu Maverick, que foi quase todo refeito – e que, apesar do impressionante tempo de 1min40s514, perdeu cinco posições no grid por desrespeito a uma bandeira vermelha na classificação.

Brasília 1973 se prepara para entrar na pista (Imagem: Rodrigo Mora/UOL)

O próximo clássico no grid é uma VW Brasília 1973, do trio Marcelo Servidone, Marcelo Fortes e Luís Finotti. Que nos explicou, o Finotti, que o maior desafio para um piloto de carro antigo é simplesmente cruzar a linha de chegada. "É preciso limitar o giro, achar uma velocidade confortável, poupando o carro, e seguir nela até o fim, sem levar o carro ao limite", detalha Finotti, que ainda acha que nesse tipo de prova – em que várias categorias, com modelos de diversas características, se misturam – é mais tenso, "porque somos ultrapassados a todo instante por veículos mais rápidos".

Motor boxer original deu lugar a um !) 1600 de preparado para 160 cv ((Imagem: Rodrigo Mora/UOL)

Não que sua Brasília seja lenta: o motor boxer original deu lugar a um AP 1600 de 160 cv, cuja missão é empurrar, somando piloto e carro, aproximadamente 1.000 kg. Nada mau.

Uma raridade é um Aldee, um fora de série do final dos anos 1980 que, na década seguinte, ganhou uma versão específica para as pistas. É o carro que conquistou Paulo "Loco" Figueiredo. "Muda tudo na tocada de um modelo moderno para um antigo. É preciso escutar o motor, sentir se o câmbio não está moendo, não judiar da máquina. Mas é um carro surpreendentemente na mão, muito estável e rápido", descreve o piloto.

Aldee, em frente ao Sandero R.S., se prepara para a classificação ((Imagem: Rodrigo Mora/UOL)

Os 500 km de Interlagos terão largadas às 15h. As arquibancadas terão acesso gratuito e o passe de visitação ao box pode ser comprado na entrada do autódromo, pelo portão 7, por R$ 50.

Sobre o autor

Rodrigo não Mora apenas nos Clássicos. Em sua trajetória no jornalismo automotivo, já passou por Auto+, iG, G1, Folha de S. Paulo e A Tarde - sempre em busca do que os carros têm a dizer. Hoje, reúne todos - clássicos e novos - nas páginas das revistas Carbono UOMO e Ahead Mag e no seu Instagram, @moranoscarros.

Sobre o blog

O blog Mora nos Clássicos contará as grandes histórias sobre as pessoas e os carros do universo antigo mobilista. Nesse percurso, visitará museus, eventos e encontros de automóveis antigos - com um pouco de sorte, dirigirá alguns deles também.

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