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História do Golf começou em 1974 com missão ingrata: suceder o Fusca

Rodrigo Mora

23/10/2019 07h00

(SÃO PAULO) – Deve ter sido um alívio para a Volkswagen ver o milionésimo Golf sair da linha de produção, apenas dois anos depois do primeiro deles entrar na fila, em 29 de março de 1974. Porque o desafio daquele hatch de 3,82 m de comprimento e 1,36 m de largura era inversamente proporcional ao seu tamanho compacto: substituir o Fusca. Suceder o carro que fez a Volkswagen nascer, ser a continuação daquele que ajudou a construir um novo mundo pós-Guerra, contestar o que Ferdinand Porsche havia pensado como carro ideal para as massas. 

VW Golf I (Imagem: divulgação)

Após quase três décadas dominada pela produção de modelos com tração traseira e motor traseiro arrefecido a ar, a planta de Wolfsburg, na Alemanha, havia se transformado quatro anos antes do Golf para estrear no K70 uma nova configuração: todo conjunto motriz ia agora na frente do carro, sendo o motor refrigerado a água. E se esse modelo, originalmente desenvolvido pela conterrânea NSU, quebrou paradigmas e o Passat, em 1973, validou a nova fórmula, o Golf sedimentou o novo modo de pensar automóveis – ao menos para a Volkswagen. 

VW Golf I (Imagem: divulgação)

Equipado com motores de 1.1 (50 cv) e 1.5 litro (70 cv), o Golf logo conquistou o mercado por reunir versatilidade, dirigibilidade fácil, bom espaço interno e design de ângulos vivos e superfícies planas, porém limpo e elegante – e assinado por Giorgetto Giugiaro. A coluna C mais larga se tornou marca registrada do seu estilo também nas gerações seguintes.

Interior era espartano, mas espaçoso (Imagem: divulgação)

O primeiro GTI surgiu em 1976, com 110 cv, faixas laterais, forração xadrez nos bancos e punho da alavanca de câmbio no formato de bola de golfe. Não que estivesse nos planos da Volks, mas é que um grupo de engenheiros apaixonados por carros – e provavelmente pela marca e seu novo produto – desenvolveu por conta própria, na hora extra depois do expediente e sem ordens da diretoria (quem sabe nem sua aprovação), a variante apimentada do Golf. Quando apresentaram o projeto, não houve outra alternativa para a chefia senão dar sinal verde.

O Golf GTI não foi o primeiro esportivo da história ou o precursor dos "hot hatch", mas é dele o crédito de popularizar a categoria dos "hatches espevitados" . Depois dele, só os compactos vivendo em outro planeta não se inspiraram no GTI para ter sua própria versão esportiva. 

VW Golf GTI I (Imagem: divulgação)

O conversível estreou em 1979, mesmo ano do nascimento do Jetta, sua versão sedã.

VW Jetta I (Imagem: divulgação)

"Caribe" no México e "Rabbit" nos EUA, o Golf da primeira geração teve 6,9 milhões de unidades produzidas até sair de linha, em 1983.

A oitava geração será apresentada amanhã. E com outra responsabilidade sobre os ombros: aos 45 anos, o Golf é o automóvel mais vendido da marca, ultrapassando os 35 milhões de exemplares. Passat, com 30 milhões, e Beetle, contabilizando 21,5 milhões, completam o pódio.

 

 

Sobre o autor

Rodrigo não Mora apenas nos Clássicos. Em sua trajetória no jornalismo automotivo, já passou por Auto+, iG, G1, Folha de S. Paulo e A Tarde - sempre em busca do que os carros têm a dizer. Hoje, reúne todos - clássicos e novos - nas páginas das revistas Carbono UOMO e Ahead Mag e no seu Instagram, @moranoscarros.

Sobre o blog

O blog Mora nos Clássicos contará as grandes histórias sobre as pessoas e os carros do universo antigo mobilista. Nesse percurso, visitará museus, eventos e encontros de automóveis antigos - com um pouco de sorte, dirigirá alguns deles também.

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