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Mora nos Clássicos

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Leilão milionário, motor V8 e fim badalado: relembre 5 glórias do Defender

Rodrigo Mora

11/09/2019 12h00

Novo Defender encontra Série 1 (Imagem: divulgação)

(SÃO PAULO) – O novo Defender – que acaba de estrear no Salão de Frankfurt – é um dos carros mais aguardados dos últimos cinco anos (ou até mais, porque o DC100, aquele protótipo que de início sugeriu como poderia ser a próxima geração do SUV, é de 2011). E essa expectativa ao seu redor vem da prolífera história de 67 anos, agora retomada. Elegemos aqui cinco momentos importantes na carreira do mais antigo Land Rover.

1948 – Lançamento no Salão de Amsterdã

O Série 1 nasceu como o veículo 4×4 da Rover, uma fabricante britânica que começou fazendo bicicletas, passou por motocicletas e depois se concentrou em carros – o primeiro deles, o Rover 8HP, de 1904, custava £ 200 e chegou a ser o carro mais vendido da Inglaterra. No começo dos anos 1930, os irmãos Spencer Wilks (1891-1971) e Maurice Wilks (1904–1963) chegaram à Rover como, respectivamente, diretor geral e engenheiro-chefe, e se tornaram personagens principais na história da companhia britânica.

Maurice usava um Willys Jeep em sua propriedade na ilha de Anglesey, no País de Gales, mas sentia falta de um carro mais versátil. Tão valente quanto seu Jeep, porém mais amigável no uso "social". Em 1947, os dois irmãos caminhavam pela praia de Red Wharf Bay quando Maurice desenhou na areia como deveria ser esse veículo.

Faltava aço, mas sobrava alumínio na Inglaterra do pós-guerra. O metal então serviu para construir a carroceria do Série 1, e os primeiros exemplares foram pintados do mesmo tom de verde – o único disponível – do interior dos aviões de guerra Spitfire. Com motor a gasolina de 1.595 cc, câmbio de quatro marchas do Rover P3 e uma caixa extra com duas marchas para situações adversas de tração o novo jipe inglês fora apresentado no Salão de Amsterdã, em 30 de abril de 1948, custando £450. Com ele nascia a marca Land Rover.

Série 1 estreia no Salão de Amsterdã, em 30 de abril de 1948 (Imagem: divulgação)

1990 – Estreia do Defender

O Série 1 virou Série 2 em 1958, e em 1971 foi a estreia do Série 3. Mudanças estéticas – sobretudo na parte da frente – e atualizações mecânicas pontuavam cada mudança de nome. Em 1983 e 1984 entraram em cena os modelos Ninety e One Ten. Os números se referiam aos respectivos entre-eixos em polegadas: 90 (na real, 92.9) e 110, o que na conversão para o padrão métrico dá 2,36 e 2,79 metros, respetivamente.

Com o lançamento do Discovery, em 1989, um padrão de nomenclatura se impôs, e então Ninety e One Ten viraram Defender 90 e Defender 110. A essência rústica e robusta, no entanto, era a mesma desde o Série 1. 

Land Rover Ninety (Imagem: Bonhams/divulgação)

2015 – Land Rover mais caro da história  

O Defender de número 2.000.000 é arrematado por £ 400 mil em dezembro, se tornando então o Land Rover em produção mais caro já vendido em um leilão. O veículo havia sido montado em maio daquele ano por personalidades ligadas à história da empresa, como Stephen e Nick Wilks, filhos dos fundadores da marca. Os lucros foram doados para instituições humanitárias parceiras da Land Rover, como a Federação Internacional da Cruz Vermelha. 

Primeiro Série 1, Série 3 e Defender número 2.000.000 (Imagem: divulgação)

2016 – A despedida 

O último Defender produzido se despede oficialmente, após 68 anos em atividade (soma-se aí os anos em que se chamava Series 1, 2 e 3), no dia 29 de janeiro de 2016. Setecentos atuais e ex-funcionários envolvidos na fabricação do modelo são convidados para a celebração na planta de Solihull. Entre eles a família Bickerton, que havia recém-chegado à quinta geração de funcionários da Land Rover. Na ocasião, a Land Rover anunciou o Heritage Restoration Programme, dedicado a reformar modelos das linhas Series e Defender.

O último dos 2.016.933 exemplares construídos foi um 90, com teto de lona, na cor Grasmere Green e com o volante do lado direito. Desde então pertence à Jaguar Land Rover e hoje está guardado no acervo de carro históricos da empresa. A placa remete à do primeiro protótipo de pré-produção, HUE 166, que lhe rendeu o apelido "Huey".   

Este é o último Defender a sair da linha de produção, em 29 de janeiro de 2016 (Imagem: divulgação)

2018 – Série Works V8

Ao completar 70 anos, a fabricante inglesa abriu as comemorações ressuscitando o Defender com a versão Works, equipada com um 5.0 V8 que "homenageia os primeiros motores de alta potência, que equiparam tanto o Series 3, em 1979, quanto sucessivos Defenders".

Com 405 cv e 52 kgfm de torque gerenciados por um câmbio automático de oito marchas da ZF, é o Defender mais rápido da história, segundo a Land Rover: 0 a 100 km/h em menos de seis segundos. Freios retrabalhados, suspensão mais firme, rodas exclusivas e decorações estéticas idem. Foi uma edição imitada a 150 unidades, que se esgotaram em um mês. 

Defender Works V8 (Imagem: divulgação)

 

 

Sobre o autor

Rodrigo não Mora apenas nos Clássicos. Em sua trajetória no jornalismo automotivo, já passou por Auto+, iG, G1, Folha de S. Paulo e A Tarde - sempre em busca do que os carros têm a dizer. Hoje, reúne todos - clássicos e novos - nas páginas das revistas Carbono UOMO e Ahead Mag e no seu Instagram, @moranoscarros.

Sobre o blog

O blog Mora nos Clássicos contará as grandes histórias sobre as pessoas e os carros do universo antigo mobilista. Nesse percurso, visitará museus, eventos e encontros de automóveis antigos - com um pouco de sorte, dirigirá alguns deles também.