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Mora nos Clássicos

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Corolla nasceu como compacto em 1966; saiba quando virou carro de tiozão

Rodrigo Mora

03/09/2019 07h00

(Imagem: divulgação)

(SÃO PAULO) – "O Toyota Corolla é um veículo japonês de cinco passageiros, posicionado como o carro mais acessível do mercado. No desenvolvimento do Corolla, os engenheiros da Toyota passaram anos reunindo as melhores tecnologias da empresa para oferecer ao público. Este carro foi projetado para se tornar um elemento principal da sociedade japonesa. Ele é equipado com um potente motor em linha, resfriado a água, com 1.077 cc e 60 cavalos de potência, que fornece um nível de desempenho e uma classe de veículo que vai além. O Corolla está repleto de novos recursos, onde sua aceleração excede a dos carros europeus dentro da mesma classe de veículo. O Corolla é realmente um carro compacto japonês de alto desempenho".

É o que dizia o comunicado de lançamento do Corolla, de 20 de outubro de 1966, revelando que a origem do modelo estava no segmento compacto, não no médio. Pois era esse tipo de veículo que não apenas o Japão recuperado dos catastróficos bombardeios contra Hiroshima e Nagasaki, em agosto de 1945, como toda a Europa precisava no pós-guerra: um carro acessível para as massas. 

Toyota Corolla 1966 (Imagem: divulgação)

O Japão que viu o Corolla nascer crescia 15% ao ano. Eufórica com a escalada econômica, a população havia elegido os três novos tesouros sagrados, ou "3 cês": TV a cores, carros e ar-condicionado. A estreia do Corolla também coincidiu com a conclusão de um plano de expansão rodoviária anunciado em 1954, que culminou na abertura da Meishin Expressway, em 1965, e da Tokyo-Nagoya Expressway, em 1969. Havia portanto condições para comprar e usar um carro no Japão como nunca antes. 

Toyota Corolla 1966 (Imagem: divulgação)

A primeira geração do Corolla (E10) foi desenvolvida por Tatsuo Hasegawa, um engenheiro conhecido por empregar na indústria automotiva conceitos da indústria aeronáutica. Foi dele também a ideia de um inédito sistema de pontuação, ancorado numa escala de 0 a 100. O objetivo era que todas as áreas do carro atingissem ao menos 80 pontos. 

Toyota Corolla 1966 (Imagem: divulgação)

Novo no conceito, o Corolla também era fresco mecanicamente. Seu motor 1.1 litro, de 60 cv, fora desenvolvido do zero. Um câmbio manual de quatro marchas era incomum, sobretudo com alavanca que saía do assoalho e não da coluna de direção, mais habitual. Berços dos faróis em alumínio podem parecer banais hoje, mas eram um luxo na época. A suspensão dianteira do tipo MacPherson buscava inspiração em modelos europeus. Aos poucos, a família foi incrementada com uma perua e um cupê. Silencioso, robusto, prático e econômico, o primeiro Corolla chegou rapidamente a 1 milhão de unidades.

Toyota Corolla 1970 (Imagem: divulgação)

A segunda geração (E20) chega maior em 1970, ampliando o espaço interno. Os motores iam do 1.2 ao 1.4 litro, enquanto a transmissão ganhava uma marcha. Nessa fase, o Corolla conhece suas primeiras versões esportivas, Levin e Trueno (ambas 1.6), e chega a 2 milhões de unidades vendidas, em 1972. Apenas um ano depois e já são 3 milhões de Corollas vendidos.

Toyota Corolla 1974 (Imagem: divulgação)

Em 1974 estreia o Corolla da geração E30, novamente esticado e alargado – em boa parte por conta da inclusão de equipamentos e recursos para atender novas regulamentações de segurança e emissão de poluentes. Os motores foram mantidos, mas a transmissão automática saltou de duas para três marchas. Uma carroceria hatchback se juntou à gama.

Toyota Corolla 1979 (Imagem: divulgação)

Conceitos e práticas dos modelos anteriores foram mantidos neste E70: tração traseira, motor dianteiro e dimensões maiores a cada nova geração. Mas é nítida a mudança de um fastback com apelo esportivo, estilo que marcou as três fases anteriores, para um sedã mais convencional. O estilo quadradão agradou, e a versão GT – equipada com um motor 1.6 até então exclusivo dos modelos Levin e Trueno – fez do Corolla um sedã compacto esportivo de sucesso.

Toyota Corolla 1979 (Imagem: divulgação)

 

 

 

 

Sobre o autor

Rodrigo não Mora apenas nos Clássicos. Em sua trajetória no jornalismo automotivo, já passou por Auto+, iG, G1, Folha de S. Paulo e A Tarde - sempre em busca do que os carros têm a dizer. Hoje, reúne todos - clássicos e novos - nas páginas das revistas Carbono UOMO e Ahead Mag e no seu Instagram, @moranoscarros.

Sobre o blog

O blog Mora nos Clássicos contará as grandes histórias sobre as pessoas e os carros do universo antigo mobilista. Nesse percurso, visitará museus, eventos e encontros de automóveis antigos - com um pouco de sorte, dirigirá alguns deles também.