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Meu Carro, Minha Vida: Chevrolet 3100 Brasil; como nasceu a avó da S10

Rodrigo Mora

27/07/2019 07h00

(SÃO PAULO) – A personagem central desta incrível história chama-se Chevrolet 3100 Brasil e é a terceira geração de uma família de picapes batizada de Advance Design. Já bem-sucedida nos EUA, estreou por aqui em 1948 e foi o primeiro lançamento da marca no Brasil após a Segunda Guerra Mundial, período em que a montadora diminuiu drasticamente o ritmo de produção.

A nova gama era composta por duas linhas: Loadmaster, de veículos pesados, e Thriftmaster, cujos modelos 3100, 3600 e 3800 tinham PBT (soma do peso do veículo e sua capacidade de carga) de 1.905 kg a 3.991 kg, e portanto considerados leves.

Logo a picape ganhou o apelido "boca de sapo", por conta do design formado pela grade e pelos faróis. Era apenas montada aqui, pois vinha desmembrada dos EUA no esquema CKD (Completely Knock-Down– exceto a caçamba, feita localmente. O nível de nacionalização subiu em 1951, quando a cabine passou a ser fabricada na planta de São Caetano do Sul (SP). Motor (3,5 litros, seis cilindros, 92 cv) e chassis ainda eram importados. Com este visual ela foi até 1954, quando passou por uma reestilização que lhe rendeu outro apelido: "boca de bagre".

Primeira fase da Chevrolet 3100 foi de 1948 a 1954; na foto, uma "boca de sapo" (Imagem: divulgação)

Uma atualização mais profunda veio em 1955, e imediatamente a nova picape ficou conhecida por "Martha Rocha", em referência à Miss Brasil do ano anterior. Acompanhando o novo visual estava o motor Jobmaster 261, de 4,3 litros, seis cilindros e 144 cv, que em 1958 passou a ser fabricado na planta da empresa em São José dos Campos (SP).

Segunda fase da gama 3100 foi de 1955 a 1959 (Imagem: divulgação)

E foi com esse motor que a terceira geração da 3100 estreou, em julho de 1958. Com 54% de nacionalização, foi o segundo veículo da Chevrolet genuinamente brasileiro – daí o apelido "Brasil". O primeiro a alcançar os 40% de seu peso com peças nacionais, exigência do GEIA (Grupo Executivo da Indústria Automobilística) para o desenvolvimento da indústria automotiva, foi o caminhão 6503, com 44%.

Terceira e última fase da 3100 foi de 1959 a 1963 (Imagem: Murilo Góes/UOL)

E vem da 3100 Brasil o que de certa forma dá para chamar de precursor dos SUVs da marca: a Amazona, lançada em 1960, que era a picape alongada, com três fileiras de bancos (podendo levar até oito pessoas) e um porta-malas no lugar da caçamba.

(Imagem: Murilo Góes/UOL)

Tão rara quanto a Amazona são outras duas variações da 3100: o furgão Corisco é a Alvorada, primeira picape cabine dupla da Chevrolet no Brasil.

(Imagem: divulgação)

Depois do fim da família 3100, em 1964, a história de picapes da GM seguiu com C-14, C-10, D-20, Silverado, Chevy, Picape Corsa, Montana e S10.

 

Sobre o autor

Rodrigo não Mora apenas nos Clássicos. Em sua trajetória no jornalismo automotivo, já passou por Auto+, iG, G1, Folha de S. Paulo e A Tarde - sempre em busca do que os carros têm a dizer. Hoje, reúne todos - clássicos e novos - nas páginas das revistas Carbono UOMO e Ahead Mag e no seu Instagram, @moranoscarros.

Sobre o blog

O blog Mora nos Clássicos contará as grandes histórias sobre as pessoas e os carros do universo antigo mobilista. Nesse percurso, visitará museus, eventos e encontros de automóveis antigos - com um pouco de sorte, dirigirá alguns deles também.

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