Topo
Mora nos Clássicos

Mora nos Clássicos

Há 30 anos, Kadett surgia como vanguardista; hoje é carro de coleção

Rodrigo Mora

13/04/2019 08h00

(SÃO PAULO) – Atropelados pelos utilitários compactos, os hatches médios estão liquidados no mercado brasileiro. Recentemente, a Ford decretou o fim do Focus e a Volkswagen acabou de limar boa parte da gama do Golf. Restou apenas o Chevrolet Cruze, sabe-se lá até quando.

Kadett chega em 1989 para ser a referência em modernidade (Imagem: divulgação)

Tempos bem diferentes daquele abril de 1989, quando a General Motors do Brasil lançou o Kadett, após um hiato de sete anos sem um carro inédito na linha – o último fora o Monza, em 1982. A perua Ipanema chegaria poucos meses depois.

Ipanema era a versão perua do Kadett (Imagem: divulgação)

O Kadett foi um carro desenvolvido pela alemã Opel (à época pertencente à GM; hoje ela é da PSA) surgido em 1962. Era a geração A, passando à B em 1965, à C em 1973 (que se converteu no nosso Chevette), à D em 1979 e à E em 1984. Mesmo cinco anos após seu nascimento, essa última série desembarcou no Brasil esbanjando modernidade num mercado bem defasado em relação ao europeu e ao americano.

Os vidros rentes à carroceria, a frente baixa e a traseira, digamos, "acupezada" faziam do Kadett o mais aerodinâmico entre os nacionais da época, com coeficiente de até 0,30. Na cabine, painel similar ao do Monza, bom espaço na frente e bancos aveludados e muito confortáveis.

Interior do Kadett GS

A porta de entrada era a espartana versão SL, seguida da SL/E, ambas dotadas do 1.8 de 95 cv do Monza. A esportiva GS tinha diferenciais externos (rodas e spoiler) e internos (bancos Recaro e volante de três raios) e um 2.0 de 110 cv a álcool. Motores ainda robustos para os anos 1990, mas ofuscados pelo 2.0 de injeção eletrônica do Gol GTi. O Kadett foi se livrar do carburador só em 1992.

O esportivo GS se destacava pelos para-choque maiores e as rodas distintas (Imagem: divulgação)

No meio do caminho, versões especiais foram alimentando o interesse do consumidor pelo Kadett: GSi conversível e Turim em 1990, e Lite em 1994, mesmo ano em que SL e SL/E viram GL e GLS e o GSi sai de cena.

Versão Turim remetia a Copa da Itália, de 1990 (Imagem: divulgação)

Para 1995, o plano era aproveitar a redução da alíquota de importação de 35% para 20% e trazer o Astra da Bélgica. O hatch e sua perua (raríssima hoje) fizeram sucesso, mas por pouco tempo, pois o tal abate do imposto não apenas voltou ao patamar original, como dobrou, indo para 70% e aniquilando as chances do Astra. Ao menos por enquanto.

O Astra deveria aos poucos aposentar o Kadett, em 1995. Mas logo saiu do mercado (Imagem: divulgação)

Eis que o Kadett, que logo menos se aposentaria, foi recrutado novamente. Em 1996 veio a versão Sport (2.0) e sua única reestilização (de gosto duvidoso), destacada pelos para-choques na cor do veículo e pela grade frontal redesenhada.

Foi com essa cara que o Kadett se despediu (Imagem: divulgação)

Em setembro de 1998, após 394.068 unidades produzidas, o Kadett deixava a batalha contra VW Golf, Fiat Tipo e Ford Escort pra nova geração do Astra, apresentada na Europa no ano anterior e com produção local confirmada.

Resumo da ópera: o Kadett é oficialmente um carro de coleção.

Sobre o autor

Rodrigo não Mora apenas nos Clássicos. Em sua trajetória no jornalismo automotivo, já passou por Auto+, iG, G1, Folha de S. Paulo e A Tarde - sempre em busca do que os carros têm a dizer. Hoje, reúne todos - clássicos e novos - nas páginas das revistas Carbono UOMO e Ahead Mag e no seu Instagram, @moranoscarros.

Sobre o blog

O blog Mora nos Clássicos contará as grandes histórias sobre as pessoas e os carros do universo antigo mobilista. Nesse percurso, visitará museus, eventos e encontros de automóveis antigos - com um pouco de sorte, dirigirá alguns deles também.