Topo
Mora nos Clássicos

Mora nos Clássicos

Citroën, 100: cinco carros que definiram a essência da marca francesa

Rodrigo Mora

2022-03-20T19:07:00

22/03/2019 07h00

(SÃO PAULO) – Foi em 4 de junho de 1919 que a Citröen entregou a primeira unidade produzida do Model A, que inaugurou na Europa a produção em série, seis anos após Henry Ford fazer o mesmo nos EUA com o Model T. De lá pra cá, entre altos e baixos – adquirir e depois perder a conterrânea Panhard, ser resgatada pela Michelin e posteriormente ser comprada pela Peugeot -, houve genialidade para fazer carros revolucionários que marcaram a história da empresa fundada por André Citroën (1878 – 1935).

(Imagem: divulgação)

2CV – Há quem diga que, não fosse a Segunda Guerra Mundial, o 2CV seria o carro mais popular do mundo, e não o Volkswagen Fusca. Sua origem remonta a meados dos anos 1930, quando Pierre Boulanger concebeu um carro para que os agricultores franceses trocassem o cavalo e a carroça por algo mais confortável. As diretrizes mandavam que ele transportasse até quatro pessoas a 60 km/h, além de 50 kg de insumos agrícolas. Tudo devia ser espartano: a estrutura da carroceria é mantida no lugar por 16 parafusos, no interior não havia o menor resquício de conforto e o motor mais potente tinha 602 cc e 30 cv. Mas pelo menos os bancos eram removíveis – não apenas para levar mais bagagem, mas também param serem usados num piquenique, por exemplo. Apresentado no Salão de Paris de 1948, foi produzido até 1990, somando mais de 5 milhões de unidades.

(Imagem: divulgação)

Type A – O primeiro carro da Citroën também foi o primeiro modelo produzido em série – princípio inventado por Henry Ford em 1913, em Detroit – da Europa, com até 100 unidades fabricadas por dia. No total, 24.093 Type A foram vendidos antes da produção cessar, em 1921. Em menos de uma década, a Citroën se tornou o maior fabricante de carros da Europa e o quarto maior do mundo.

(Imagem: divulgação)

Traction Avant – Lançado em 1934, foi o primeiro carro produzido em massa a incorporar uma carroceria monobloco com tração. Concebido em apenas 18 meses, foi a afirmação da Citroën enquanto montadora inovadora e questionadora dos padrões convencionais de construção e soluções. Mas, tanta ousadia teve seu preço, e nesse mesmo ano a Michelin toma seu controle. A gama era composta por um conversível, um cupê e um sedã – o mais longo deles tinha uma terceira fileira de bancos. Apesar de raspar os cofres da marca, sobreviveu até 1957.

(Imagem: divulgação)

DS – Seu nome vem de déesse, deusa em francês. "É óbvio que o Citroën DS caiu do céu", disse certa vez o filósofo Roland Barthes. Revelado no Salão de Paris de 1955, o sucessor do Traction Avant recebeu 12 mil encomendas no primeiro dia de estreia. Foi um dos precursores dos conceitos de aerodinâmica, quando o tema ainda era vago. E o que dizer de um carro que, já naqueles tempos, tinha suspensão hidropneumática, capaz de manter a altura constante acima do chão com qualquer carga? Raríssima, a versão conversível teve apenas 1.365 unidades construídas, entre 1960 e 1971.

(Imagem: divulgação)

SM – Ninguém discute que comprar a Maserati foi uma extravagância da Citroën. Por outro lado, o mundo não seria o mesmo sem o SM, considerado à época o concorde dos automóveis, ao unir a aerodinâmica francesa à força do motor V6 italiano. O SM foi repleto de inovações – muitas delas criaram marcas da Citroën, como faróis giratórios e suspensão hidropneumática autonivelante. Era um carro complexo – Complexo, o SM tinha uma série de seis faróis, com a luz interna de cada lado girando enquanto a direção apontava para a esquerda ou direita.

Sobre o autor

Rodrigo não Mora apenas nos Clássicos. Em sua trajetória no jornalismo automotivo, já passou por Auto+, iG, G1, Folha de S. Paulo e A Tarde - sempre em busca do que os carros têm a dizer. Hoje, reúne todos - clássicos e novos - nas páginas das revistas Carbono UOMO e Ahead Mag e no seu Instagram, @moranoscarros.

Sobre o blog

O blog Mora nos Clássicos contará as grandes histórias sobre as pessoas e os carros do universo antigo mobilista. Nesse percurso, visitará museus, eventos e encontros de automóveis antigos - com um pouco de sorte, dirigirá alguns deles também.