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Mora nos Clássicos

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Lapidado por Senna, Honda NSX faz 30 anos

Rodrigo Mora

12/02/2019 07h00

(SÃO PAULO) – Começava fevereiro quando a Acura apresentou o conceito NS-X naquele Salão de Chicago de 1989. Mal sabiam que ali nascia um dos carros mais cultuados de todos os tempos, considerado o primeiro supercarro do Japão.

"Antes da conferência de imprensa, o presidente da Honda Tadashi Kume, inesperadamente decidiu acionar o motor do protótipo, um som que poderia ser ouvido em uma sala adjacente, onde uma montadora rival estava realizando sua própria conferência. Enquanto o motor ruidoso atraiu a atenção da mídia, Kume procurou a equipe de engenharia do NSX e perguntou por que o NS-X Concept não usava a nova tecnologia VTEC que havia sido desenvolvida recentemente. Quando foi informado de que estava planejado apenas para uma aplicação de motor de quatro-cilindros, Kume exigiu da equipe um projeto de VTEC V6", relembra o comunicado da Acura – a divisão de luxo da Honda -, divulgado pela celebração dos 30 anos do esportivo.

Acura NS-X Concept (Imagem: divulgação)

Primeiro veículo de produção a utilizar carroceria de alumínio, a versão de produção chegou dois anos depois, equipada com um 3.2 VTEC V6 de 270 cv, câmbio manual e tração traseira. E ainda trazia interior confortável e ergonômico.

Ao lado da nova geração, que tem sistema híbrido de propulsão (Imagem: divulgação)

Em testes no circuito de Suzuka, Satoru Nakajima assumia o volante do NSX na fase de desenvolvimento. Para o fino trato, escolheram Ayton Senna, então piloto da McLaren, então equipada com motores da Honda. Foi em fevereiro de 1989, quando o brasileiro testava o novo motor Honda para seu Fórmula 1, ao mesmo tempo em que os engenheiros da equipe de pesquisa e desenvolvimento experimentava os primeiros protótipos do futuro esportivo.

"Eu não tenho certeza se posso realmente lhe dar conselhos apropriados sobre um carro de produção em massa, mas sinto que é um pouco frágil", foi o primeiro comentário do piloto brasileiro.

Não se rejeita a opinião de um campeão de Fórmula 1. Então, restou à Honda apenas correr atrás de uma estrutura mais rígida, que aguçaria a dirigibilidade do NSX, entre outros benefícios. E escolheu o famoso circuito de Nürburgring, abençoado por um nível ímpar de desafios.

Acura NSX 1991 (Imagem: divulgação)

Se passasse pelo crivo da pista alemã, pensou a Honda, certamente agradaria motoristas mais vorazes por uma condução genuinamente esportiva. Após oito meses de trabalho, a engenharia enrijeceu o NSX em 50%. Foi, inclusive, o primeiro veículo de linha a utilizar carroceria totalmente em alumínio.

Seu nome veio de "New Sports eXperimental", algo como novo (carro) esportivo experimental, que batizava o protótipo NS-X, como sugere o nome. No fim das contas, removeram apenas o hífen para nomear um clássico contemporâneo.

Essa primeira geração foi até 2007. A segunda foi lançada em 2016.

Ao lado da nova geração, que tem sistema híbrido de propulsão (Imagem: divulgação)

Sobre o autor

Rodrigo não Mora apenas nos Clássicos. Em sua trajetória no jornalismo automotivo, já passou por Auto+, iG, G1, Folha de S. Paulo e A Tarde - sempre em busca do que os carros têm a dizer. Hoje, reúne todos - clássicos e novos - nas páginas das revistas Carbono UOMO e Ahead Mag e no seu Instagram, @moranoscarros.

Sobre o blog

O blog Mora nos Clássicos contará as grandes histórias sobre as pessoas e os carros do universo antigo mobilista. Nesse percurso, visitará museus, eventos e encontros de automóveis antigos - com um pouco de sorte, dirigirá alguns deles também.