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Mora nos Clássicos

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Parabéns, Opala: relembre a história do modelo que faz 50 anos

Rodrigo Mora

19/11/2018 15h52

(SÃO PAULO) – Dezenove de novembro de 1968 é a data de nascimento do Opala, inaugurando no Brasil a gama de veículos de passeio da Chevrolet, que até então só comercializava utilitários e caminhões. Abaixo, a credencial de imprensa de Raymundo Vergílio do Couto Silva, editor do caderno de veículos do Estado de Minas entre 1959 e 1982, com a programação do evento, gentilmente cedida por seu filho, meu amigo Raimundo Couto, atualmente editor do também mineiro Supermotor.

Em 50 anos, o Opala chegou a ser o carro nacional de status mais elevado, popular entre empresários, artistas, executivos e políticos. No fim da vida, foi engolido por modelos importados, muito mais modernos, potentes, luxuosos e equipados. Perto do fim da vida, caiu num certo esquecimento, e até viatura da polícia virou.

Música com Opala? Temos "Dezesseis", do Legião Urbana; "Eu quero ver o oco", dos Raimundos, "Opala, Maverick e Landau", da banda Farufyno, "Velho Opalão", da Garagem Bluseira. Para Os Racionais MC's, o Opala era uma espécie de carro oficial, a "barca" de todas as tretas, aparecendo em Capítulo 4, Versículo 3 e A Vítima. Banda? Sim, os paulistanos da Os Opalas.

Tanta popularidade faz do Opala um dos clássicos mais desejados – e, por isso mesmo, caros. Apenas para citar alguns exemplos à venda, encontrei: Caravan Diplomata SE 1992 por R$ 85 mil, Opala Comodoro 1978 por R$ 139 mil, Opala SS4 1979 por R$ 90 mil e Opala SS 1971, 4 portas por R$ 199 mil. E há outros absurdos, como um cupê 1974 "fuçado" por R$ 135 mil.

"Hoje em dia o que torna um carro antigo muito caro é o serviço que foi executado nele, já que uma restauração hoje é caríssima. Além disso, está cada vez mais difícil encontrar mão de obra e oficinas especializadas. Portanto, acho justo sim um Opala beirar os R$ 200 mil", defende o comerciante André Brunelli, para quem a tendência dos preços "é se manterem ou aumentarem enquanto os colecionadores continuarem pagando".

O acesso à linha Opala/Caravan deve se restringir ainda mais. Se os modelos da década de 1980 eram os menos cobiçados até outro dia, um estudo divulgado em janeiro pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (FGV EAESP) revelou que os Opalas da versão Diplomata de 1981 a 1986 ficaram 53% mais caros nos últimos dez anos.

E não estamos falando de um carro de produção restrita, pois foram fabricadas 998.663 unidades (Opala e Caravan), afinal.

Origem

Até o lançamento do Opala, no final de 1968, a General Motors do Brasil apenas oferecia caminhões e utilitários. Um carro de passeio era demanda urgente, mas como resolve-la? Importar modelos da Chevrolet? Fabricar localmente? E em qual segmento esse novo automóvel, inicialmente chamado de Projeto 676, se encaixaria?

Após destrinchar todos os tipos de estudos de viabilidade (industrial, comercial, mercadológica, logística…), a diretoria da empresa decidiu tomar como base o Opel Rekord, modelo de origem alemã que àquela altura era o primeiro carro global da GM. (Acho que todos já sabem, mas a Opel pertencia à companhia norte-americana desde 1929). Da costela do Rekord então o Opala nasceu, apenas com faróis, lanternas e gama de motores próprios.

Opel Rekord

Opala picape

Fiat e General Motors tiveram a mesma visão na década de 1970: produzir uma picape derivada de um carro de passeio, e assim oferecer um veículo de carga mais acessível, econômico e versátil. A Fiat seguiu com a ideia e lançou, em 1978, a versão com caçamba do 147, inaugurando no Brasil um segmento que nos EUA já existia há cerca de uma década.

Mas, o que impediu a GM de lançar a Opalete? "Naquele momento já se falava em um substituto para o Opala, então não compensaria investir em um produto novo para linha. A Caravan já existia lá na Alemanha, e havia muita coisa em comum com o Opala. Já a picape demandaria muitas adaptações e ferramental distinto", esclarece Adalberto Bogsan, engenheiro da área de design que trabalhou na GM entre 1962 e 2001.

No fim, a picape do Opala não foi longe – sequer avançou para os testes de durabilidade. Bogsan também conta que o nome "Opalete" nunca veio da GM, que a tratava simplesmente como Opala picape ou projeto V80. Ou seja… "Opalete" se tornou basicamente um apelido dado pela imprensa ao projeto.

O que aconteceu com o protótipo? Foi destruído pouco tempo depois, infelizmente.

"Opalete" bateu na trave em 1974

Placa preta

Em 1988, a linha Opala passou por sua penúltima reestilização. Na dianteira, novos faróis escoravam uma grade agora com extremidades não mais retas, e sim diagonais. Lanternas ligadas por um falso conjunto ótico marcavam o novo visual da traseira no caso da versão Diplomata, que também ganhava rodas redesenhadas.

Volante e painel reconfigurados tentavam dar novos ares a um interior tão datado quanto confortável. Coube à inédita saída do ar-condicionado entregar alívio aos ocupantes do banco traseiro nos dias quentes. As mudanças eram embaladas por novos "sobrenomes": Opala SL, Comodoro SL-E, Diplomata SE.

Pois num desses caprichos do destino, o primeiro carro a conquistar placa preta em 2018, quando se comemora os 50 anos do Opala, é um…Opala Diplomata SE, ano e modelo 1988 – um dos 2.293 Diplomatas a gasolina fabricados naquele ano, de um total de 22.912 Opalas.

Esse Diplomata 1988 é o primeiro carro a receber placa preta em 2018

Sobre o autor

Rodrigo não Mora apenas nos Clássicos. Em sua trajetória no jornalismo automotivo, já passou por Auto+, iG, G1, Folha de S. Paulo e A Tarde - sempre em busca do que os carros têm a dizer. Hoje, reúne todos - clássicos e novos - nas páginas das revistas Carbono UOMO e Ahead Mag e no seu Instagram, @moranoscarros.

Sobre o blog

O blog Mora nos Clássicos contará as grandes histórias sobre as pessoas e os carros do universo antigo mobilista. Nesse percurso, visitará museus, eventos e encontros de automóveis antigos - com um pouco de sorte, dirigirá alguns deles também.

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