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Mora nos Clássicos

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Emerson Fittipaldi reencontra carro da primeira vitória 52 anos depois

Rodrigo Mora

12/03/2018 07h02

Emerson contorna uma das curvas do circuito da Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro

Foi em 7 de novembro de 1965 que os dois comemoraram juntos a primeira vitória. Era a 4a etapa do Campeonato Carioca de Automobilismo, na Ilha do Fundão, Rio de Janeiro. Logo em seguida, se separaram: Emerson Fittipaldi foi para os monopostos da Fórmula Vê (construídos por seu irmão Wilson), depois passou por Fórmula Ford e Fórmula 3, até chegar à Fórmula 1, em 1970. Campeão do mundo em 1972 e 1974, virou estrela internacional.

Quanto ao Renault R8 Gordini, sua carreira foi mais curta e modesta. Correu até 1967, se aposentou, virou carro de rua, foi restaurado e em meados do ano passado chegou às mãos do colecionador Maurício Marx.

Ontem, Emmo e o Gordini se reencontraram. Não se viam desde os tempos da Equipe Willys, que tinha ainda Bird Clemente, José Carlos Pace e Marivaldo Fernandes (um dos donos anteriores do carro) no time. Emerson foi o grande homenageado do Amelia Island Concours d'Elegance – concurso de automóveis clássicos realizado neste final de semana, nos EUA –, onde os caras tiveram a ideia de reunir os principais carros de corrida guiados pelo piloto, como a Lotus de 1970, a McLaren de 1974 e os Penske de 1989, 1993 e 1994 da Fórmula Indy, cujo campeonato de 1989 foi vencido por ele.

Em Amelia Island, Emerson reencontra o Gordini da sua primeira vitória no automobilismo

Ninguém convidou o humilde e valente Gordini para a festa. Mas lá foi ele, graças aos esforços do Marx, que despachou o carrinho pra lá por conta própria. Esforços que incluíram muita pesquisa, a fim de voltar o Renaultzinho às cores originais da equipe Willys. “Quando comprei o carro, ele estava pintado num azul claro típico dos Gordini de corrida franceses. Depois descobri que ele era o carro do Emerson, daí resolvi deixa-lo exatamente como era nos seus tempos de competição”, explica Marx.

Segundo ele, apenas o bloco do motor não é o original. Na época das batalhas automobilísticas, usava um 1,3 litro, com câmbio de cinco marchas. No mais, até o para-brisa com cicatrizes de corrida foi mantido.

Sobre o autor

Rodrigo não Mora apenas nos Clássicos. Em sua trajetória no jornalismo automotivo já atuou em portais como iG, G1 e pela Folha de S. Paulo, atuando atualmente como editor do caderno de automóveis do Jornal A Tarde.

Sobre o blog

O blog Mora nos Clássicos contará as grandes histórias sobre as pessoas e os carros do universo antigo mobilista. Nesse percurso, visitará museus, eventos e encontros de automóveis antigos - com um pouco de sorte, dirigirá alguns deles também.