Mora nos Clássicos

Mercedes-Benz e Jeep já acharam a resposta que a Land Rover ainda procura

Rodrigo Mora

08/02/2018 04h00

Notória por seus sedãs, cupês e conversíveis, a Mercedes-Benz tem hoje sete SUVs na prateleira – é como uma pizzaria que agora também está famosa por seus hambúrgueres. Descontando os modelos da estirpe esportiva AMG e só contabilizando aqueles de carroceria e nome distintos, é um a mais do que tem a Land Rover, que nunca fez outro modelo na vida senão utilitários esportivos.

Ter sete SUVs na gama não foi por acaso. A marca alemã fez apostas arriscadas, entre eles “acupezar” alguns deles, como o GLC e o GLE. Outra, mais gloriosa, foi ter mantido o Classe G praticamente intocado. Desenvolvido sobre conceitos militares e colocado à venda para civis em 1979, o G-Wagen (como foi chamado até 1998) sofreu atualizações e reestilizações ao longo da vida, mas nunca deixou de ter o desenho de um Lego montado por um criança de dois anos.

E para o bem da humanidade, a Mercedes não pegou outro SUV, achatou sua traseira e o chamou de Coupé. Durante o Salão de Detroit, apresentou a segunda geração do jipe quadradão, que do antigo manteve apenas três peças, segundo a marca – entre elas, as maçanetas. Mais comprido e mais largo, manteve fielmente os contornos que fazem sua fama desde 1979.

“Nossa série de modelos mais contínua está idealmente equipada para continuar sua história de sucesso. Em suma, o novo ‘G’ ainda é um ‘G’, apenas melhor “, disse o um dos chefões da Mercedes, Ola Källenius, membro do Conselho de Administração da Daimler AG.

Claro que manter um carro como o Classe G em linha tem aspectos emocionais…

Relembremos a história de Gunther e Christine Holtorf. Em 1989, o casal alemão subiu em um Classe G comprado em 1988 e seguiu para a África. O plano era visitar quantos países conseguissem dentro de 18 meses. Ocorre que eles pegaram gosto pela vida nômade, e no fim das contas a jornada durou 26 anos. Otto, o Mercedes, rodou 897 mil quilômetros, levando o casal a 215 países.

Óbvio que quando voltou pra Alemanha, Otto foi direto para o museu da Mercedes-Benz, em Stuttgart. Na cerimônia de recepção do valente jipe, Dieter Zetsche, o todo poderoso da Mercedes, já anunciava a vida eterna do modelo: “Eu prometo que ainda haverá um Classe G no futuro. Será que haverá mais personagens como os Holtorf ? Espero que sim”.

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Pode ser subjetivo demais, mas você imagina uma história dessas com um GLE Coupé – que parece mais alinhado à vida de baladas fúteis de Kardashians da vida – na cena? Pois é…

E a Mercedes não é a única nesse movimento – embora pareça a mais resolvida no assunto.

Há exatos dois anos, a Land Rover celebrou seus 68 anos no momento em que o último Defender saía da linha de produção, em Solihull, na Inglaterra. É o carro que fez tudo começar para a marca, em 1948, ainda batizado de Series 1 (o nome Defender apareceu somente em 1990).

Robusto como um container, o Defender teve sua aposentadoria muito especulada durante os anos anteriores. Sucessivas séries especiais foram criadas – a “Defender 2.000.000”, que se resumiu a um exemplar produzido em 2015, foi arrematada em um leilão por £ 400.000 (R$ 1,79 milhão).

Depois desta, outras 16.933 unidades foram produzidas até a derradeira, em 2016. Parte da série Heritage, limitada a 400 exemplares, tratava-se de um modelo 90 (chassis curto), pintado na cor Grasmere Green, que hoje pertence à própria Jaguar Land Rover. Era o fim de um dos mais icônicos carros ingleses, certo?

Errado. Na última semana, quando todo mundo achava que o Defender tinha, de vez, ficado no passado, a Land Rover apresentou a série Works V8, que “homenageia os primeiros motores de alta potência, que equiparam tanto o Series 3, em 1979, quanto sucessivos Defenders, incluindo a edição do 50º aniversário, que é altamente procurada por entusiastas e colecionadores atualmente”, explicou a marca.

Série limitada feita pela JLR Classic tem motor V8 de 405 cv

De acordo com a empresa, o Defender Works V8 “é o mais potente e rápido de todos”. Pudera: seu motor é um 5.0 V8 de 405 cv e 52 kgfm de torque, capazes de levar o jipe aos 96 km/h em 5,6 segundos.

Seria um amor mal resolvido? Ou só um fôlego até que seu sucessor (que pelo pipocar de flagras em sites internacionais será revelado este ano) se apresente?

Fato é que repaginar um ícone é tarefa complicada. Como entregar um produto alinhado às atuais tecnologias sem ferir seu histórico – e assim desagradar os fãs? Bom, como NÃO fazer isso é com o DC100 Concept, de acordo com o coro de vaias que o protótipo revelado em 2011 recebeu dos amantes do Defender.

Nessa missão inglória de manter um ícone tão antigo na ativa, Mercedes e Jeep parecem ter alcançado mais sucesso. Esta última com o Wrangler, outro jipão das antigas que até ficou moderno, mas sem parecer.

Sobre o autor

Rodrigo não Mora apenas nos Clássicos. Em sua trajetória no jornalismo automotivo já atuou em portais como iG, G1 e pela Folha de S. Paulo, atuando atualmente como editor do caderno de automóveis do Jornal A Tarde.

Sobre o blog

O blog Mora nos Clássicos contará as grandes histórias sobre as pessoas e os carros do universo antigo mobilista. Nesse percurso, visitará museus, eventos e encontros de automóveis antigos - com um pouco de sorte, dirigirá alguns deles também.

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