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Mora nos Clássicos

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Opala nasceu de “primo” alemão e quase teve picape; listamos 5 curiosidades

Rodrigo Mora

20/10/2018 07h00

(SÃO PAULO) – Já que estamos no ano do cinquentenário do Opala, convém relembrar alguns fatos da vida do sedã mais amado da Chevrolet (desconfio que depois de Fusca e Kombi, ele seja o mais carro mais popular no Brasil). A eles:

De onde veio?

Até o lançamento do Opala, no final de 1968, a General Motors do Brasil apenas oferecia caminhões e utilitários. Um carro de passeio era demanda urgente, mas como resolve-la? Importar modelos da Chevrolet? Fabricar localmente? E em qual segmento esse novo automóvel, inicialmente chamado de Projeto 676, se encaixaria?

Após destrinchar todos os tipos de estudos de viabilidade (industrial, comercial, mercadológica, logística…), a diretoria da empresa decidiu tomar como base o Opel Rekord, modelo de origem alemã que àquela altura era o primeiro carro global da GM. (Acho que todos já sabem, mas a Opel pertencia à companhia norte-americana desde 1929). Da costela do Rekord então o Opala nasceu, apenas com faróis, lanternas e gama de motores próprios.

Eram quatro versões, inicialmente: 2500, 2500 De Luxo, 3800 e 3800 De Luxo. Os números remetiam à capacidade dos motores: o 2,5 litros de quatro cilindros rendia 80 cv e o 3,8 litros de seis cilindros chegava a 125 cv. Todos com carroceria de quatro portas.

Quantos produziram?

No primeiro ano, foram fabricadas 305 unidades do Opala. O ano em que mais se produziu Opalas e Caravans (que chegou só no final de 1974, como linha 1975) foi 1980, quando saíram da linha de produção 76.915 modelos. Na despedida, em 1992, foram 3.262 veículos. E no total foram 998.663 unidades.

Quase rolou uma picape do Opala

A linha 1975 deveria ampliar a gama não somente com a Caravan, mas também com uma picape. Apelidada de "Opalete", era tratada internamente como projeto V80 e tinha estilo inspirado na El Camino, picape derivada do sedã Impala, de 1959.

Um Opala com caçamba não vingou porque, segundo um engenheiro da área de design que trabalhou na GM entre 1962 e 2001, "naquele momento já se falava em um substituto para o Opala, então não compensaria investir em um produto novo para linha. Demandaria muitas adaptações e um ferramental distinto". A Caravan só nasceu porque já havia a perua do Opel Rekord na Alemanha.

Câmbio de BMW

Os motores eram ultrapassados, mas a transmissão automática 4HP22, adotada a partir de 1988, tinha pedigree: fornecida pela alemã ZF, era a mesma que equipava modelos de luxo como BMW 735i e Jaguar XJS. Mesmo com quatro marchas, conseguia manter o baixo ruído interno, com apenas 68 decibéis a 100 km/h.

O primeiro placa preta de 2018

Num desses caprichos do destino, o primeiro carro a conquistar placa preta em 2018, quando se comemora os 50 anos do Opala, é um…Opala. Trata-se de um Diplomata SE, ano e modelo 1988 – um dos 2.293 Diplomatas a gasolina fabricados naquele ano, de um total de 22.912 Opalas.

Esse Diplomata 1988 é o primeiro carro a receber placa preta em 2018

 

 

 

Sobre o autor

Rodrigo não Mora apenas nos Clássicos. Em sua trajetória no jornalismo automotivo, já passou por Auto+, iG, G1, Folha de S. Paulo e A Tarde - sempre em busca do que os carros têm a dizer. Hoje, reúne todos - clássicos e novos - nas páginas das revistas Carbono UOMO e Ahead Mag e no seu Instagram, @moranoscarros.

Sobre o blog

O blog Mora nos Clássicos contará as grandes histórias sobre as pessoas e os carros do universo antigo mobilista. Nesse percurso, visitará museus, eventos e encontros de automóveis antigos - com um pouco de sorte, dirigirá alguns deles também.